Kerrang!: Entrevista com Amy e Sharon sobre a Worlds Collide Tour

 

 

Elas são duas das maiores bandas de rock e metal dessa décadas, mas Evanescence e Within Temptation nunca compartilharam um palco juntos. Até ano passado, na verdade, seu caminho nunca tinha se cruzado. Tudo isso está prestes a mudar com uma turnê europeia conjunta em abril do ano que vem.

Apelidada de Worlds Collide Tour, ela vai dar início em 04 de abril no Palais 12 de Bruxelas e terminar no Ziggo Dome de Amsterdã em 21 de abril. Também haverá um show no Reino Unido, no O2 Arena de Londres – o maior show solo que as duas bandas vão tocar.

Within Temptation lançou seu sétimo álbum, Resist, em fevereiro deste ano, enquanto que o Evanescence passou os dois últimos anos na turnê do Synthesis, que viu a banda retrabalhar algumas de suas músicas mais conhecidas com elementos orquestrais e eletrônicos. As duas bandas dizem que a Worlds Collide Tour será uma experiência completamente nova, no entanto, com palcos recém-projetados e uma atmosfera única.

K! conversou com Amy Lee, do Evanescence, e Sharon den Adel, do Within Temptation – duas das mais criativas e influentes mulheres no rock – pra descobrir o que podemos esperar…

Correndo o risco de serem óbvias, vocês duas estão animadas para essa turnê?
Sharon: “Claro! É uma coisa diferente para nós, pois tocamos shows grandes em alguns países, mas fazer uma turnê inteira dessa forma é algo novo. E com as duas bandas, estamos na mesma cena e temos algumas semelhanças. Temos também nossas diferenças na música, é claro, mas acho que a combinação faz dessa turnê muito forte.”
Amy: “Sim, muito. É interessante, eu sabia há muito tempo que nossos fãs gostam deles e vice-versa, porque fiquei sabendo dessa banda pela internet e também pelos nossos fãs. A oferta para fazermos essa turnê juntos veio e estamos muito animados com isso. Parece fazer sentido, e mal podemos esperar.”

A turnê se chama Worlds Collide Tour, mas, como vocês disseram, existem algumas semelhanças. Você acha que o Within Temptation e o Evanescence se completam bem?
Amy: “Eu acho que sim. Nós escolhemos esse nome de forma colaborativa. Sentimos que nossos dois mundos são separados, vidas separadas pelo oceano, mas em muitas maneiras existem algumas semelhanças. E sermos capazes de juntar esses dois mundos pela primeira vez parece a combinação perfeita para as duas bandas. É claro que existem diferenças, mas você quer isso. Você quer contraste no show, mas é legal ver as semelhanças e aceitá-las.”

Os fãs já pediram para vocês fazerem uma turnê juntos?
Sharon: “Claro, mas isso frequentemente acontece com bandas que têm os mesmos fãs. Pedem para fazermos algo juntos, mas talvez não achem que vá se tornar em realidade. É algo especial. No passado, lembro que muitos dos meus amigos ficaram animados quando Megadeth e Metallica fizeram aquela turnê juntos há muitos anos atrás. Lembro que todo mundo estava exaltado para ver duas de suas bandas favoritas juntas, e é uma coisa parecida conosco.”

Colocando vocês em uma situação difícil, vocês são fãs da música uma da outra?
Amy: “Eu não tinha muito conhecimento sobre a música deles até conhecer a Sharon pela primeira vez ano passado quando eles vieram assistir a um de nossos shows durante a nossa turnê orquestral. Nós nos conectamos instantemente de uma forma bonita e eu pensei, ‘Sabe, preciso ouvir o som deles agora.’ Comecei a descobrir todas essas músicas bonitas e melodias que eu gostei muito. Era como se eu tivesse encontrado algo novo que estava me esperando há muito tempo.”
Sharon: “Eu gosto muito da música deles. Quando o Fallen saiu [em 2003], era muito importante que algo novo estava acontecendo. Era mais ligado ao nu metal talvez, enquanto que estávamos fazendo algo mais ligado ao sinfônico, e o nu metal era como um novo impulso em toda a indústria fonográfica. Foi animador, inovador e inspirador para muitas pessoas.”

No que diz respeito à inspiração, isso não deveria ser um problema nos dias atuais, mas as mulheres ainda são sub-representadas no rock e metal. Vocês acham inspirador fazer turnê juntas?
Amy: “Espero que sim. Fiz alguns esforços e tive muitas oportunidades maravilhosas de fazer shows com mulheres fortes e talentosas nos últimos anos. Sabe, existem cada vez mais de nós sendo aceitas no mundo do hard rock. Fico muito feliz de ver as mulheres nesse contexto recebendo todo esse respeito e revelando a si mesmas e também seu poder no palco. Quando comecei, era definitivamente menos comum ver mulheres na indústria. Agora eu nunca vou a única mulher. Espero que isso seja empoderador para todos: homens, mulheres, todos.”

A turnê do Resist do Within Temptation era bem visual com roupas e o palco com tema de sci-fi. Você acha que essa nova turnê será uma continuação disso, ou algo completamente diferente?
Sharon: “Vamos fazer um novo palco especialmente para essa turnê, porque as casas de show são um pouco maiores. Na maioria das vezes, o que nós tínhamos era grande demais para as casas em que tocamos. Mas há pessoas que já nos viram tocar na turnê Resist, então queremos fazer algo especial para essas pessoas também. Tentamos fazer com que os visuais representem a música, mas é claro que a música é a coisa essencial. Você quer ter toda essa experiência e é isso que estamos tentando fazer no show ao vivo. É uma experiência nova construída em torno das músicas.

O álbum Resist contém alguns elementos musicais diferentes, com mais sons eletrônicos, pop e industriais. Isso mudou a experiência do show ao vivo?
Sharon: “Não, porque ao vivo você toca diferente. Mas esses elementos foram muito importantes no último álbum. É um som moderno e abraçamos o desenvolvimento. É o próximo passo na evolução da banda, eu acho, explorar coisas novas. Trazemos isso ao show ao vivo, mas de uma forma diferente daquela no álbum.”

E, Amy, o que podemos esperar do Evanescence nessa turnê?
Amy: “Vamos definitivamente ficar criativos na nossa produção. Parece que essa turnê vai nos possibilitar, pois vamos tocar em casas de show grandes e acho que essa imagem de duas bandas juntas poderia ser algo… maior. Quero que pareça especial. Começamos agora a fase de ter conversas criativas sobre o que fazer que possa ser novo, interessante, criativo e animador para todos.”

A turnê do Synthesis mudou a maneira que você vê ou aborda algumas de suas músicas?
Amy: “Sim. Essa não é uma continuação daquela turnê, a propósito – vamos voltar aos shows de rock! Mas toda aquela experiência de fazer a turnê orquestral foi realmente de abrir a cabeça. Nos fez trabalhar fora da zona de conforto; a banda tinha que estar sentada, eu usava salto alto (risos). Foi tudo muito estranho, mas, falando sério, era focado em interpretar e olhar essas músicas de forma diferente. Você tinha que ser confiante, pois não tem como se esconder nas luzes estroboscópicas, ou colocar seu cabelo na sua cara quando não estiver se sentindo confiante! Você está literalmente em exibição com toda sua vulnerabilidade, e isso é o que eu queria capturar. Aquela vulnerabilidade em corda bamba misturada com a inacreditável força quando tudo se alinha com a orquestra. Aquela experiência foi muito especial, e nos deu uma nova inspiração agora que estamos de volta com a turnê de rock e também na composição de um novo álbum – pegar aquele capítulo e colocar em nossa bagagem como algo novo que podemos aplicar em nossa música. Não estou falando de colocar orquestra na música – sempre fizemos isso. Me refiro a um senso de emoção e exposição crua. Isso é algo que vim a aceitar, ao invés de ficar com medo como antigamente.”

Existe algum prazo para o álbum, e você vai ter alguma música nova nessa turnê?
Amy: “Eu não sei. Nós já temos um ótimo começo e planejamos ter o álbum lançado em algum momento ano que vem. Não podemos fazer isso em um mês, mas estamos trabalhando nisso, estamos compondo e fazer turnê e é bom ter diversas coisas rolando de uma vez. Temos esses show, e temos um cover legal de The Chain, do Fleetwood Mac, que tivemos a chance de fazer para o novo jogo do Gears of War. Então vamos correr e terminar de gravar isso e depois continuar com a composição. É divertido. Você tem que manter tudo revigorado: não deixe sua cabeça ficar velha ou cansada.”

Sharon, depois da turnê mundial do Hydra, você estava esgotada e tinha problemas pessoais para lidar. Você discutiu isso e mudou a forma que fazer turnê como banda?
Sharon: “Sim, muito. É encontrar o equilíbrio entre os dois mundos diferentes entre minha vida profissional, estar em turnê e minha vida familiar. Estamos fazendo o seguinte: estamos em turnê por duas semanas, depois ficamos em casa por duas semanas. Tivemos um descanso de verdade, mesmo que isso vá fazer a turnê se estender mais no final. Ainda vamos tocar a mesma quantidade de shows, mas é importante ter esse tempo em casa de permeio, então você não fica longe de casa por meses de uma vez. Você pode combinar esses dois mundo em que você vive.”

E, finalmente, vai ter alguma rivalidade amigável entre as duas bandas?
Sharon: “Não acho que haverá rivalidade. Dissemos que existem algumas semelhanças, mas você só segue e faz sua própria coisa. Estou ansiosa de uma forma muito positiva e tenho certeza de que as duas bandas farão seu melhor.”
Amy: “Pois é, acho que não. Temos muito respeito uma por outra e estamos muito animados pela turnê. A Sharon é uma pessoa muito adorável e pés no chão. Não passei muito tempo com os meninos, mas eles parecem ser assim também. Acho que vamos nos divertir. Não gosto de sair em turnê com pessoas que não gosto de estar perto. Eu normalmente não gosto disso, então estamos todos muito animados para passar um tempo juntos.”

Scans por @Ev_Archive!

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