Rolling Stone: “Amy Lee retorna à vida”

Amy foi entrevistada para a revista Rolling Stone deste mês. Leia a tradução abaixo.

Amy Lee sente falta do Brooklyn. Ela viveu lá durante 12 anos com seu marido (e mais tarde com seu filho, nascido em 2015), antes de se mudarem de sua casa para Nashville há um ano. “O ano perfeito”, diz ela revirando os olhos pelo Zoom. Lee esperava ficar mais perto de sua família no Arkansas e amigos em Nashville quando ela se mudou, apenas para se encontrar presa em casa como o resto do mundo. “Não conseguimos ver as pessoas como gostaríamos por causa do Covid, mas agora estamos aqui, e estaremos preparados para um ano melhor ano que vem”, acrescenta ela com um tom otimista.

Esse não era o único plano que ela teve de reajustar: No início deste ano, sua banda de rock alternativo, Evanescence, retornou ao estúdio com o produtor Nick Raskulinecz para compor e gravar músicas para o que será o primeiro álbum deles de novo material desde Evanescence, lançado em 2011. Enquanto a pandemia os desacelerou nesse processo, o grupo seguiu em frente, trabalhando remotamente no início, e depois, após serem testados negativos para Covid, se reuniram num estúdio em Nashville. “Não vou apressar as coisas”, diz Lee, de 38 anos, “Só estou tentando viver no momento, alimentando minha alma com a música”.

Nesta primavera (no hemisfério norte), o Evanescence lançou a poderosa balada “Wasted on You” como o primeiro lançamento de seu álbum ainda em gravação, The Bitter Truth. Desde abril, quando seus colegas de banda residentes nos EUA entraram em ônibus de turnê para se reunirem com ela em Nashville (a guitarrista Jen Majura permaneceu na Alemanha), eles têm estado determinados a criar o resto do álbum. “A energia foi amplificada”, diz Lee. “Estávamos lá no estúdio a todo vapor. Agora, os meninos voltaram pra casa deles, e estou percorrendo o resultado de toda a música, juntando tudo e terminando o álbum”. Em algumas formas, diz ela, a quarentena foi uma bênção: “O lado bom desse tempo é que eu tive que me esforçar e me concentrar. Mesmo nos dias em que não quero, venho aqui e penso, ‘Vamos fazer isso. Vamos terminar o álbum’.”

A quase uma década que antecede The Bitter Truth tem sido reveladora e revigorante para Lee. Após o lançamento de Evanescence, o grupo entrou em hiato enquanto lidava com uma disputa legal com sua antiga gravadora. Lee teve um tempo para trabalhar em trabalhos solo, incluindo um álbum infantil. Quando a banda voltou ao estúdio, foi para reimaginar os sucessos passados com arranjos orquestrais no álbum Synthesis, de 2017.

Essas mudanças, entre outras, significam que The Bitter Truth será o primeiro álbum de material novo com a formação atual. A banda mudou significativamente desde quando Lee formou o Evanescence como uma dupla com o guitarrista Ben Moody em 1995, o ano após eles terem se conhecido em um acampamento juvenil cristão em Little Rock quando ela tinha 13 anos. Lee, cujo pai trabalhou no mercado radiofônico, cresceu amando Motown antes de assistir ao filme Amadeus e se apaixonar por música clássica. “Eu queria ser como o Mozart”, diz ela. “Implorei por aulas de piano. Consegui aulas de pianos, mas depois o grunge entrou em cena”.

Rapidamente, ela estava ouvindo a rádio do rock da época, como a maioria dos adolescentes norte-americanos, ouvindo Nirvana, Soundgarden, Tori Amos e Beck. Ao mesmo tempo, ela escrevia poesia e pensava nas conexões entre suas bandas favoritas. “Tudo se alinhou”, diz ela. “Quanto mais pesada a música – quanto mais era do mundo do Metallica ou Pantera – mais eu via semelhanças com Bach e Beethoven”.

Fatos rápidos

  • O primeiro álbum que Lee comprou foi do California Raisings
  • “Use My Voice” foi originalmente inspirada na história de Chanel Miller, contada no livro Know My Name
  • O vizinho de Lee no Brooklyn enviou fermento natural pelo correio enquanto ela estava de quarentena em Nashville

Evanescence assinou seu primeiro contrato de gravadora no final dos anos 90, quando Lee tinha 19 anos e havia começado a estudar teoria de composição na Middle Tennessee State University. Foi preciso dois EPs lançados de forma independente e um salto para uma grande gravadora para a dupla se tornar uma banda completa, recrutando alguns amigos para seu primeiro lançamento em uma grande gravadora, Fallen, em 2003. O álbum tornou-se uma das maiores histórias de sucesso comercial daquele ano, ganhando disco de platina sete vezes e igualando-os a Beyoncé, Christina Aguilera, Norah Jones e Avril Lavigne. “Bring Me to Life”, seu primeiro single, tornou-se um hino gótico-pop duradouro, seguido de “My Immortal” não muito atrás desse título. No Grammy de 2004, o Evanescence levou para casa o troféu de Melhor Novo Artista, vencendo 50 Cent e Sean Paul, e Fallen foi nomeado na categoria Álbum do Ano (mas perdeu para Speakerboxxx/The Love Below do OutKast).

Nos bastidores, contudo, o sucesso provou ser difícil de lidar para o Evanescence. “Foi estranho”, diz Lee agora. “Eu cresci em público”. Ela ficou surpresa que um álbum tão informado pela escuridão da vida real, incluindo a trágica morte de sua irmã quando ambas eram crianças, pudesse render nos 40 maiores sucessos.

“Éramos crianças no Grammy e no American Music Awards se misturando com as estrelas pop da época”, acrescenta ela. “Quando ganhamos, parece que todo mundo ia nos surpreender e dizer, ‘Estamos zoando, perdedores. Vocês não pertencem aqui’.”

Lee passou a primeira grande turnê do Evanescence se preocupando com um irmão doente, e as tensões na banda transbordaram com a saída dramática de Moody no meio de uma turnê em 2003 pela Europa; ele nunca mais voltou para a banda. “Lembro-me de muitas vezes só de querer ir para casa”, diz Lee. “Eu era a única mulher no meio e me sentia sozinha na minha banda e na estrada.”

Cada era do rock foi definida por quão poucas mulheres foram capazes de chegar ao mainstream, e Lee se sentiu isolada, mesmo quando seu meio-soprano operístico se tornou uma das vozes definitivas do rock. Em um programa de rádio, lembra Lee, um DJ apresentou a banda confessando que ele tinha “se masturbado” olhando para a capa de Fallen, um close-up do rosto de Lee. Após a primeira música e alguns minutos de raiva fervente, Lee chamou a atenção dele. Em outro show, ela interrompeu sua apresentação para confrontar um fã por tentar fazer com que o público predominantemente masculino gritasse “Mostre seus peitos”.

Demorou até este ano para que Lee se sentisse confortável para expressar sua opinião sobre política, falando em entrevistas contra Donald Trump e a morte de George Floyd causada pela polícia. Em “Use My Voice”, lançada como single neste verão, ela deixa claro que não quer mais ficar calada: “Afogo cada verdade em um oceano de mentiras”, canta. “Me intitula de ‘puta’ porque ouso desenhar minha própria linha/Queima cada ponte e constrói uma parede no meu caminho/Mas usarei minha voz”.

Evanescence gravou a música com as vocalistas Lzzy Hale, do Halestorm, e Taylor Momsen, do Pretty Reckless – duas vozes no hard rock que disseram à Lee que ela foi uma grande influência em suas carreiras. “Isso começou a me dar vida”, diz Lee. “Isso me fez me dedicar com um novo senso de compreensão, propósito e confiança de que o que eu estava dizendo valia a pena ouvir”.

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