Broken Record

Quem acompanhou de pertinho o processo de gravação e criação do terceiro álbum do Evanescence sabe que a banda tinha planos de lançar um álbum completamente diferente. Contudo, devido à rejeição da sua antiga gravadora, Wind-Up Records, que mais tarde pediu por um álbum que tivesse mais a cara do Evanescence, as gravações de 2010 tiveram de ser interrompidas e descartadas.

Há muitas coisas que não soam como o Evanescence, mas a essência da banda ainda está lá. Este é um álbum mais rítmico, então há batidas programadas fundidas com bateria. Estamos alugando tambores um dia de cada vez, como o tambor taiko. – Amy Lee (Rolling Stone / 02 de março de 2010)

Tudo começou quando Amy anunciou que trabalhava em novo material em junho de 2009. Ela declarou que o novo trabalho seria uma evolução dos trabalhos anteriores e “melhor, mais forte e mais interessante”. Mais tarde naquele ano, o Evanescence agendou dois shows em novembro, um de aquecimento em Nova York e outro no festival Maquinária, em São Paulo, Brasil. Quem compareceu aos shows pôde perceber que a nova vibe “eletrônica”, marcada pela bateria, já estava sendo incorporada no “live set” da banda.

Não sei explicar o quanto estou empolgada para gravar esse álbum. No último ano e meio, essas músicas se tornaram o centro da minha vida, e mal posso esperar para ouvir no que elas vão crescer no estúdio. Eu acho que nosso som está evoluindo para algo que surpreenderá as pessoas, de uma maneira muito boa. Sinto, como sempre, que o crescimento pode ser uma coisa incrível e ilimitada, se você permitir. Eu nunca quero fazer o mesmo álbum duas vezes. – disse em nota

A banda entrou oficialmente no estúdio em 22 fevereiro de 2010 com o produtor Steve Lillywhite, famoso por produzir U2 e Rolling Stones, com a co-produção de Will ‘Science’ Hunt. Lee se mostrava animada com as gravações, informando aos fãs no Twitter a respeito do andamento das gravações e também postando prévias. Em entrevista à revista Spin, Lee revelou que a primeira música composta para o álbum se chamava “Hi-Lo”, ainda um título provisório, com uma pegada electro-pop.

A letra [de Hi-Lo] fala sobre seguir em frente, mas não de uma maneira conflituosa ou com raiva. Tipo, ‘Ei, já superei tudo o que aconteceu e não estou com raiva de você’.

Outro título, “You Got a Lot to Learn”, anunciado propositalmente pela Amy no programa de rádio de Lillywhite, trazia a participação especial do baterista Questlove.

Amy, Steve, Chad e Will ‘Science’ no MSR Studios, em Nova Iorque.

A maior parte das músicas foi composta por Lee, porém também contou com a ajuda de Tim e Terry, baixista e guitarrista respectivamente, e do outro Will Hunt, apelidado de Will ‘Science’, com quem Lee trabalhou em “Sally’s Song” em 2008. “Eu tenho um estúdio em casa e eu trabalhava muito com o Will ‘Science’ lá. A gente enviava as nossas ideais por e-mail. A composição e som são inspirados por muitas de nossas bandas favoritas: Björk, Nine Inch Nails, Massive Attack e música com muita programação e sons maiores que a vida”, declarou em entrevista.

Passei por uma fase em que eu não sabia se era algo solo, se iria fazer trilha sonora ou outra coisa. Após compormos juntos [Lee e ‘Science’], percebi que era Evanescence.

Ao descrever o som do álbum, Amy disse:

Muitas coisas sobre ‘eletrônico’ em relação ao nosso novo álbum. Que não se resume. Influências incluem: Rock, electro, pop, clássica, hip hop … Industrial, oriental, dark soul…

Em entrevista à Billboard, acrescentou:

Tem muita influência eletrônica – industrial é uma palavra melhor. Não seria um álbum do Evanescence se não soasse como Evanescence. Sinto que nossa banda sempre teve programação e inspirações de Björk, Depeche Mode, Massive Attack e coisas do tipo. Não é que vamos fazer um desses discos, é que agora essas influências estão desempenhando um papel maior no som do Evanescence dessa vez. O som que estamos abordando como grupo é fundir instrumentos sintéticos com orgânicos e criar algo novo. Que soe maior que a vida

Uma das mais famosas entre os fãs é “Perfect Dream”, prévia abaixo, que traz uma técnica chamada stomping.

“Reaching above, so high above… my perfect dream.”

Em 24 de maio, foi postado outro clipe do estúdio:

As gravações foram interrompidas em abril de 2010, uma vez que Lee anunciou nesta época no EvClub que a banda havia saído do estúdio para trabalhar em mais músicas e, em junho do mesmo ano, declarou que a gravadora estava passando por “tempos incertos”, o que dificultaria na continuidade das gravações. Mais tarde, Terry declarou que à medida que o álbum ficava pronto, a gravadora pedia por um álbum mais com a cara da banda, apesar de ter aprovado o projeto em 2009.

Apenas três músicas das sessões com Steve foram retrabalhadas em Evanescence: “Made of Stone”, “Swimming Home” e “Secret Door”.

Em 2015, Amy declarou que a gravadora rejeitou o material gravado em 2010 e que lhe “disseram que nenhuma daquelas músicas nas quais eu havia colocado meu coração durante um ano, de forma alguma, eram boas o suficiente”. Ela disse que usou sua frustração ao ser forçada a começar de novo para compor o que ela chamou de “o álbum mais pesado do Evanescence”. Ela acrescentou que está em posse dessas gravações incompletas e “planeja terminar algumas, refazer outras, e provavelmente guardar algumas para mim”. Saiba mais!

Músicas da sessão de gravação com Steve Lillywhite

As músicas abaixo foram gravadas nas sessões de 2010, porém não foram inclusas em Evanescence, de 2011. Algumas delas foram lançadas em outros projetos.

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